O GEDAL
traz como objetivo primaz de sua existência a democratização do acesso
à Astronomia em todos os níveis e setores da sociedade londrinense.
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O ENSINO E A DIVULGAÇÃO DA ASTRONOMIA
Miguel Fernando Moreno*
Certamente, não há aquele que, ante a primeira observação por um telescópio, mostre-se indiferente. As reações são as mais diversas possíveis. O entusiasmo dos jovens, a estupefação dos adultos ou o incredulismo dos mais velhos, não importa, o primeiro contato com o Cosmos é sempre algo especial e marcante.
Contudo, face à real situação em que se encontra o ensino e divulgação das Ciências Astronômicas em nosso país, esse será, quando vir a ocorrer, muito provavelmente, o primeiro e único contato do indivíduo com a Astronomia propriamente dita.
Afora isso, o único elo com o conhecimento mencionado será aquele exposto, brevemente, nas salas de aula ou de forma ainda mais efêmera pela imprensa. E, o que é ainda pior, não raramente as informações passadas dessas formas acabam se mostrando confusas, distantes e, o que é ainda mais lastimável, expostas de forma incorreta.
Mesmo assim, as crianças e os jovens sentem-se, cada vez mais, atraídos pelas inúmeras maravilhas que o Universo tem a nos ofertar. Carl Sagan (1934-1997), astrônomo, autor de livros como “Pálido ponto azul”, Cosmos” e “Contato”, tendo sido os dois últimos, transformados em mini-série, assistida por mais de meio bilhão de telespectadores, e filme, respectivamente, e considerado o maior divulgador da Ciência de todos os tempos, discorreu da seguinte forma sobre o tema;
À exceção das crianças (que não sabem o suficiente para deixar de fazer as perguntas importantes), poucos de nós passam muito tempo pensando por que a Natureza é como é; de onde veio o Cosmos, ou se ele sempre existiu; se o tempo vai um dia voltar atrás, e os efeitos vão preceder as causas; ou se há limites elementares para que o que os humanos podem conhecer. Há até crianças, e eu conheci algumas delas, que desejam saber como é um buraco negro; qual é o menor pedaço da matéria; por que nos lembramos do passado, mas não do futuro; e por que há um Universo.
De vez em quando, tenho a sorte de lecionar num jardim-de-infância ou numa classe do primeiro ano primário. Muitas dessas crianças são cientistas natos – embora tenham mais desenvolvido o lado da admiração que o do ceticismo. São curiosas, intelectualmente vigorosas. Perguntas provocadoras e perspicazes saem delas aos borbotões. Demonstram enorme entusiasmo. Sempre recebo uma série de perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da noção de ‘perguntas imbecis’.
Mas quando falo a estudantes do último ano do secundário, encontro algo diferente. Eles memorizam os ‘fatos’. Porém, de modo geral, a alegria da descoberta, a vida por trás desses fatos, se extinguiu em suas mentes. Perderam grande parte da admiração e ganharam muito pouco ceticismo. Ficam preocupados com a possibilidade de fazer perguntas ‘imbecis’; estão dispostos a aceitar respostas inadequadas; não fazem perguntas encadeadas; a sala fica inundada de olhares de esguelha para verificar, a cada segundo, se eles têm a aprovação de seus pares. Vêm para a aula com as perguntas escritas em pedaços de papel que sub-repticiamente examinam, esperando a sua vez, e sem prestar atenção à discussão em que seus colegas estão envolvidos naquele momento.
Algo aconteceu entre o primeiro ano primário e o último ano secundário, e não foi apenas a puberdade. Eu diria que é, em parte, a pressão dos pares para não se sobressair (exceto nos esportes); em parte, o fato de a sociedade ensinar gratificações a curto prazo; em parte, a impressão de que a ciência e a matemática não vão dar a ninguém um carro esporte; em parte, que tão pouco seja esperado dos estudantes; e, em parte, que haja poucas recompensas ou modelos de papéis para uma discussão inteligente sobre ciência e tecnologia – ou até para o aprendizado em si mesmo. Os poucos que continuam interessados são difamados como nerds, CDF’s, dentre outros.
Mas há outra coisa: conheço muitos adultos que ficam desconcertados quando as crianças pequenas fazem perguntas científicas. Por que a Lua é redonda?, perguntam as crianças. Por que a grama é verde? O que é um sonho? Até onde se pode cavar um buraco? Quando é o aniversário do mundo? Por que nós temos dedos nos pés? Muitos professores e pais respondem com irritação ou zombaria, ou mudam rapidamente de assunto: ‘Como é que você queria que a Lua fosse, quadrada?’. As crianças logo reconhecem que de alguma forma esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas experiências semelhantes, e mais uma criança perde o interesse pela ciência. Por que os adultos têm de fingir onisciência diante de crianças de seis anos é algo que nunca vou compreender. O que há de errado em admitir que não sabemos alguma coisa? A nossa auto-estima é assim tão frágil?
Além do mais, muitas dessas perguntas se referem a problemas profundos da ciência, alguns dos quais ainda não estão plenamente resolvidos. A razão para a Lua ser redonda tem a ver com o fato de a gravidade ser uma força central que puxa para o meio de qualquer mundo, e com o grau de resistência das rochas. A grama é verde por causa da clorofila, é claro – todos nós tivemos essa informação martelada em nossas cabeças na escola secundária -, mas por que as plantas têm clorofila? Parece tolice, uma vez que o Sol produz sua energia máxima na parte amarela e não verde do espectro. Por que as plantas, em todo o mundo, deveriam rejeitar a luz solar em seus comprimentos de onda mais abundantes? Talvez seja um acidente consolidado da antiga história da vida sobre a Terra. Mas há algo que ainda não compreendemos sobre a cor da grama.
Há muitas respostas melhores do que fazer a criança sentir que está cometendo um erro social crasso ao propor perguntas profundas. Se temos uma idéia da resposta, podemos tentar explicar. Uma tentativa mesmo incompleta proporciona nova confiança e encorajamento. Se não temos idéia da resposta, podemos procurar na enciclopédia. Se não temos enciclopédia, podemos levar a criança para uma biblioteca. Ou podemos dizer: ‘Não sei a resposta. Talvez ninguém saiba. Quando você crescer, será talvez a primeira pessoa a descobrir tal coisa’.
Há perguntas ingênuas, perguntas enfadonhas, perguntas mal formuladas, perguntas propostas depois de uma inadequada autocrítica. Mas toda pergunta é um grito para compreender o mundo. Não existem perguntas imbecis.
As crianças inteligentes e curiosas são um recurso nacional e mundial. Precisam receber cuidados, ser tratadas com carinho e estimuladas. Mas o mero estímulo não é suficiente. Temos de lhes dar também as ferramentas essenciais com que pensar.[1]
Ainda acerca do mesmo tema, assevera-nos o ilustre educador Rubem Alves:
“As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que vêem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vê pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca estiveram no mundo. Tudo é novidade, surpresa, provocação à curiosidade.”
Como experiência própria, podemos retratar o que, invariavelmente, vemos acontecer. Em nossas atividades ministradas àqueles de tenra idade, nas primeiras séries do ensino fundamental, faz-se notar a magia que se vê despertar no semblante de cada um defronte temas que lhes pareciam tão distantes e insolucionáveis. O brilho dos olhares se acende e inicia-se então, uma trovoada de perguntas, ligadas não só ao tema das atividades (Astronomia), mas também à Biologia e, até mesmo, à Ufologia e afins. Realmente, as crianças não demonstram medo algum em se ver ridicularizadas pelos colegas ante uma pergunta sua que não seja razoavelmente “inteligente”.
Palestras programadas para durarem apenas até o intervalo, vêem-se obrigadas, constantemente, a adentrar ao restante do horário letivo, face à insaciável curiosidade dos pequenos. Não há aquele que se deixe dispersar durante o evento. Todos, sem exceção, deixam-se levar pelos infinitos encantos da Natureza.
Entretanto, ao proferir-se atividades congêneres a alunos do ensino médio a situação, lastimavelmente, altera-se completamente. Os discentes postam-se dispersos, não gostam de demonstrar interesse pelo assunto na frente dos colegas com medo de, como bem atestou Sagan, vir a serem rotulados como “diferentes”. Porém, engana-se quem crê que esta seja uma situação sem volta.
Em uma de nossas atividades, no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, em 2000, viemos a assumir um compromisso com as turmas do primeiro e segundo ano do ensino médio noturno de, uma vez por semana, a pedido do Prof. Paulo Angélico, de Física, ministrarmos um “mini-curso” sobre Astronomia.
O primeiro encontro se deu numa sexta-feira, durante as últimas aulas do dia, com as quatro turmas presentes no Anfiteatro do mesmo colégio. Como é de se esperar, numa data e horário como estes, os alunos viam-se na ânsia de irem embora. Proferimos então uma pequena palestra sobre como seria o mini-curso, abordamos alguns caracteres gerais da Astronomia e realizamos algumas atividades lúdicas com os alunos, sendo que alguns foram conclamados a subir ao palco para participar das “experiências”. Mesmo diante das primeiras tentativas de prender a atenção dos jovens, a imensa maioria teimava a permanecer indiferente às atividades.
Na aula subseqüente, uma vez que a presença havia sido considerada facultativa, na primeira das turmas, apenas 5 alunos aguardavam a exposição, enquanto os demais, de forma clara e audível, concordavam, ao lado de fora da sala de aula, que uma atividade como a que se desencadeava era no mínimo “entediante”, para não adentrar ao jargão utilizado pelos mesmos. Os poucos que ali permaneciam, como era de se esperar, demonstravam nítido interesse pelo tema, muito embora, inicialmente, receassem em proferir suas questões. Assim se sucedeu nas demais turmas, quando da primeira aula em cada uma delas.
Contudo, ao adentrarmos à sala de aula, na semana seguinte, notava-se um “respeitável” crescimento no número de ouvintes, ultrapassando facilmente uma dezena. Após o término das aulas, muitos dos alunos, agora mais receptivos, vinham discutir questões relacionadas ou não com os temas debatidos. Entretanto, o que mais se mostrou gratificante foram aqueles que, ausentes nas primeiras aulas, diziam-se levados à sala pela curiosidade despertada pelos comentários daqueles que ali haviam permanecidos.
Podia-se notar, gradativamente, o despertar a chama da curiosidade e da sede de saber, que há muito se apagara em tais alunos. Por fim, culminou-se no fato de que, quando das últimas aulas, poucos eram aqueles que não se faziam presentes à classe. Era indescritível a sensação de realização e reconhecimento causada pelo interesse “contagiante” que a Astronomia despertara nos alunos. O mini-curso chegara ao fim deixando impressão de “dever cumprido”.
Justamente esta ânsia pelo conhecimento em seu estado mais puro, o “saber pelo saber”, sem que dele se intente, acima de tudo, usufruir lucros, mas sim saciar-se com o néctar que a Natureza teima em esconder em cada fresta, em cada recôndito, é que justifica a dedicação ilimitada à divulgação da Ciência.
Um estudante que mantém viva dentro de si a curiosidade para com o mundo tende, invariavelmente, a tornar-se um indivíduo que melhor compreende o que está à sua volta, que se vê apto a seguir a árdua jornada à Universidade, assimilando melhor e mais rápido o conhecimento que lhe é posto à disposição.
São jovens como estes aqueles que, tendo galgado ao aclamado ensino superior, não se contentarão em aceitar eternamente o saber vigente. Irão esmiuçar a Natureza e o Homem. Serão os cientistas que amanhã contribuirão para que a “sobrevivência” da humanidade se torne mais aprazível. Serão os biólogos que se depararão com as mais incríveis descobertas sobre a Vida. Serão os físicos que desvendarão os mistérios mais profundos do Cosmos. Serão os químicos que produzirão compostos para os mais inimagináveis fins. Mas não se restringirão apenas ao campo das Ciências Puras.
Serão os médicos que contribuirão para uma vida mais duradoura. Serão os advogados que lutarão para que os direitos de todos sejam cumpridos. Serão os economistas que não fecharão os olhos para a miséria humana ante o poderio do capital. Serão os políticos que pelejarão por um mundo mais digno. Serão os professores que perpetuarão a sede pelo saber em seus alunos, mantendo então, a corrente infindável pelo conhecimento.
Considerações pedagógicas
Cumpre-se, no ensino da Astronomia, os sábios ensinamentos de Célestin Freinet, educador francês, que apregoava a inexorável necessidade de se transformar a sala de aula num ambiente prazeroso e ativo, tendo o trabalho como força motriz de sua utopia.
Nas aulas de Astronomia, não se busca o aprendizado desconexo com tudo e todos. Pelo contrário, serve-se da cooperação entre os alunos, independentemente de suas idades ou conhecimentos, de forma a permitir que tal tema seja, também, um elo a somar na corrente das interações sociais do jovem.
Neste tema, o que vale não é o quanto o aluno sabe ou não acerca do mesmo, mas sim, o anseio por aprender mais, por se enveredar pelas nuanças de tão complexo e encantador assunto. Uma das formas de se incentivar esta característica é permitir ao discente que tenha um contato “material” com a Astronomia, através do tateio experimental que se possibilita desta forma.
Como é de se esperar, um incremento na sede pelo saber do jovem vê-se refletida em todos os outros caracteres de sua vida acadêmica, uma vez que, ao descobrir o prazer em estudar e aprender, sem a ânsia desenfreada por objetivos a médio ou curto prazo, como o vestibular, mas sim, o aluno passa a compreender melhor a importância da educação a ele oferecida em sua vida jornada estudantil.
Ao deparar-se com a capacidade de aprender e entender um tema, costumeiramente aclamado como “etéreo” e demasiado abstrato e complicado, e vendo-se capaz de notar e compreender a beleza sutil nele escondida, fundamentalmente quando passa a lograr êxito de forma natural e auto-didática, nota-se a melhoria na auto-estima do aluno, sobretudo quando da aplicação da “pedagogia do êxito”, de Freinet.
Para que se obtenha este interesse incomensurável do jovem, é imprescindível que o educador respeite o grau de conhecimento de cada aluno, não indo além de suas capacidades, nem tampouco deixá-los agir sozinhos, como bem preconizava o mestre Jean Piaget.
Complementando-se esta visão do educador, ressalta-se a visão de Lev Vygotsky, psicólogo bielo-russo, que exprimia o fato de que o docente ensinar o que o aluno já sabe ser pouco desafiador, ao passo que, ir além do que ela possa aprender torna-se ineficaz. Desta forma, o ideal recai em se partir do que o mesmo domina para ampliar seu conhecimento.
Esta é uma questão de suma importância ao se abordar o ensino da Astronomia nas escolas, haja visto que um mesmo conceito, muitas vezes, deve ser moldado das mais diversas formas, para que se mostre apto de ser apresentado a cada aluno, acompanhando a noção que cada um tem do tema, mas lançando, sempre, novas informações que venham a endossar o conjunto de “saberes” do jovem.
Ao assim proceder-se, recai-se nas sábias palavras de César Coll, professor de Psicologia Evolutiva e da Educação na Universidade de Barcelona e um dos principais coordenadores da reforma educacional espanhola e consultor do MEC (Brasil) na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que salienta o fato de que o que importa no processo educacional é o que o aluno efetivamente aprende, e não o conteúdo transmitido pelo professor, ou seja, num paralelo com a Astronomia, nota-se que o aluno aprende porque deseja, porque assim se satisfaz, e não por uma obrigação dos currículos escolares.
Não se deve esperar que, de pronto, os alunos exteriorizem um imenso desejo pelo aprendizado da Astronomia, de forma que cada um encontre motivos “lógicos” e “práticos” para tal. Esse interesse, gradual, se dá a partir do momento em que o jovem pode ter contato mais íntimo com a ciência do Cosmos. Ora, como pode alguém se ver interessado pela maestria das obras de Mozart ou das pinturas de Van Gogh sem que tenha tido a oportunidade de se deparar com elas em sua essência?
O mesmo se dá com a Astronomia. Muitas vezes, basta um “olhadela” ao telescópio para nunca mais se distanciar de tudo o que se refira ao Universo. Outras vezes, com a desmistificação de argumentos como o de que “os astrônomos ficam apenas contando quantas estrelas há no céu”, ou de que se busca ”fazer um mapa astral”, os jovens percebem o quão gratificante e agradável pode ser o estudo do Cosmos.
Luís Carlos Menezes, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), coordenador dos Parâmetros Curriculares Nacionais e formulador das provas do ENEM, assim aludia ao aprendizado da Astronomia:
“É interessante olhar para o céu e identificar partícipes do nosso pequeno condomínio, o Sistema Solar. Ah, aquilo não é uma estrela, é Vênus, um planeta. Reconhecer a Via Láctea, nossa metrópole. O barato é dominar isso, não para repetir na prova, mas para debater e filosofar sobre. Não é verdade que a criança não se interessa por filosofar. Ela só não quer ser incomodada.”[2]
Ao encontro deste pensamento, têm-se os dizeres de Hubert Reeves, astrofísico canadense e autor de livros de divulgação científica, que assim afirmou:
“Pode-se desejar reconhecer as estrelas e as constelações. Mas, de início, podemos perguntar por quê. Por que nos dar a esse trabalho? Por que investir esforços nesse sentido? Reconhecer as estrelas talvez seja tão útil (ou inútil...) quanto saber dar os nomes das flores selvagens nos bosques. Hoje, a navegação é feita com satélites apropriados. Só mesmo quem gosta de velejar é que às vezes levanta os olhos aos céus para se guiar; e uma ou duas constelações são suficientes para se encontrar a Estrela Polar [no Hemisfério Norte]. A verdadeira motivação é outra. Ela diz respeito ao prazer, ao prazer de transformar um mundo desconhecido e indiferente em um mundo maravilhoso e familiar. Trata-se de “domesticar” o céu para habitá-lo e, nele, sentir-se em casa.”[3]
Que outro argumento poderia se mostrar mais salutar de que esta paixão incomensurável que move os “amantes” da Astronomia? É este mesmo sentimento que, em outras esferas, mostra-se presente no espírito criativo dos grandes artistas, na emoção que sente o indivíduo ante uma escultura secular de Michelangelo. Àqueles que se deliciam com as sinfonias de Chopin, faz-se paralelo aos que se deleitam com a sagaz evolução galáctica. Aos adeptos das pinturas de Salvador Dallí e seu surrealismo exacerbante, os buracos negros e seus mistérios desconcertantes perfazem uma atração à parte.
De que seriam os poetas sem a Lua, musa inspiradora de incontáveis poesias? E de Olavo Bilac, sem as estrelas da Via Láctea a permear sua obra? Que seria de todos nós, sem este espetáculo gratuito e infindável, do qual muitas vezes nem mesmo nos damos conta?
[1] SAGAN, Carl. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p.311-313.
[2] MENEZES, Luís Carlos. Mais paixão no ensino de Ciências. In: Revista Nova Escola. Ano XVIII, n° 159. Ed. Abril. São Paulo. Janeiro/fevereiro 2003.
[3] HEEVES, Hubert. In:PELLEQUER, Bernard. Pequeno guia do céu.Ed. Martins Fontes.São Paulo,1991. p. 3
* Miguel Fernando Moreno é astrônomo amador há mais de 10 anos, autodidata nos assuntos ligados à Astronomia, fundador e presidente do GEDAL.
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