1° EPAST - ENCONTRO PARANAENSE DE ASTRONOMIA

Miguel Fernando Moreno*

Utopia de muitos de nós, astrônomos amadores, a divulgação da Astronomia a toda a comunidade é um objetivo sempre intentado das mais diversas formas, e vem, gradualmente, surtindo efeitos em todo o País.

No Paraná, distinguiam-se três “associações” de astronomia amadora, que se destacavam neste projeto, sendo elas o GEDAL (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina – Londrina), a SPCA (Sociedade Princesina de Ciências Astronômicas – Ponta Grossa) e o CACEP (Clube de Astronomia do Colégio Estadual do Paraná – Curitiba), cada qual trabalhando de forma independente e, na verdade, praticamente, incomunicável com as demais.

Com o início do intercâmbio de informações entre as mesmas, por uma lista de discussão (br.groups.yahoo.com/group/gedal), acabou-se por se cogitar a idéia de um Encontro Paranaense de Astronomia – EPAST.

Mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, estamos organizando, para o segundo semestre de 2004, “com a cara e a coragem”, o almejado evento. Como objetivo precípuo do EPAST, esperamos contribuir à disseminação desta “doença” que é a Astronomia, que a cada dia mais e mais cativa cada um de nós, amantes dos céus.

Longe de desejarmos fazer do EPAST um programa de e para astrônomos amadores, pretendemos, através dele, fazer prosperar a cooperação entre toda a comunidade astronômica paranaense e a comunidade em geral, reunindo, num só evento, profissionais com suas pesquisas, amadores com suas proezas observacionais e toda a sorte de “curiosos” pelo Cosmos, que talvez estivessem à espera de algum acontecimento como o EPAST para ver incendiar dentro de si a chama para as infindáveis maravilhas que o Cosmos tem a nos ofertar.

Até o presente momento, estamos ainda na fase de planejamento. De certeza, apenas a cidade onde se realizará o 1° EPAST: Ponta Grossa, numa forma de homenagear a cidade que é pioneira na Astronomia no Paraná. Hodiernamente, estamos organizando a forma das apresentações e atividades, bem como os locais e datas em que as mesmas realizar-se-ão.

De inicio, na euforia de organizar um evento que “chamasse a atenção”, pensamos em convidar diversos astrônomos, profissionais ou amadores, de renome nacional e até internacional, mas acabamos por optar por algo mais provinciano, valorizando os trabalhos que vêem sendo desenvolvidos no Paraná. E há diversos que são de grande importância e merecedores de serem lembrados.

Esperamos com o EPAST também atrair a atenção de professores das mais diversas séries para a utilidade que a Astronomia pode ter na educação dos jovens, seja por facilitar o trabalho de determinados temas em Física, Matemática, Química, ou até Historia, seja para funcionar como ente incentivador ao conhecimento científico, à sede de saber cada vez mais acerca de tudo que nos rodeia.

Pretendemos, com este pequeno passo, estarmos plantando a semente do que poderá vir a ser, a médio ou longo prazo, uma radical e positiva mudança na vida astronômica paranaense. Quem sabe, numa futura edição do EPAST, este ato pioneiro poderá ser lembrado com saudosismo e alegria. Quem sabe, dentro em pouco, não possibilitaremos a vinda do ENAST ao Paraná?

É tudo uma questão de determinação e coragem, mas também de companheirismo e respeito mútuo, sem que ninguém ou nenhuma entidade queira “aparecer” mais do que as outras. E para que a concretização deste sonho contamos com a ajuda de todos, com suas idéias e sugestões, paranaenses ou não, pois isto pouco importa àquele que também devaneia com o dia em que a Astronomia será uma atividade digna de respeito e interesse por todos, e não alvo apenas daqueles que teimam em ficar “contando estrelas”, como bem se diz por ai.

E se verá valer os versos de Olavo Bilac, em seu poema “Via Láctea”:

XIII

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto,
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com ela? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

* Miguel Fernando Moreno é astrônomo amador há mais de 10 anos, autodidata nos assuntos ligados à Astronomia, fundador e presidente do GEDAL.

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